Uma feira, uma mesa e um marco
Tudo começou com uma ideia simples: cozinhar para servir. Servir o corpo, a memória, o encontro, a dignidade.
A Três Quatro nasceu da fome — não só de comida, mas de sentido. Uma cozinha sem fins lucrativos, independente, apartidária. Um projeto que entende o prato como gesto, como linguagem. E que desde o primeiro dia carrega um compromisso: alimentar com respeito, com afeto, com escuta. Alimentar sem hierarquia, sem pressa, sem ruído. Alimentar como quem oferece um pedaço do próprio coração.
Foi com esse espírito que chegamos até a feira da Le Cordon Bleu. E não foi pouca coisa.
Fomos — com alegria e honra — a primeira instituição do terceiro setor a participar da feira da escola. Uma conquista que carrega muito mais do que um crachá ou um avental. Carrega um marco. Uma fresta. Um sinal de que os muros entre a técnica e o propósito podem, sim, ser derrubados com cuidado, uma colher de cada vez.
Na bancada, levamos nossos produtos. Mas o que apresentamos foi mais do que isso: era o aroma da história da Débora, que trocou o Direito pela cozinha. Era o perfume dos almoços preparados durante a pandemia, em silêncio, para quem mais precisava. Era o tempero das culturas que respeitamos, das práticas sustentáveis que defendemos, das mãos que nos ajudam a cozinhar todos os dias.
Enquanto os visitantes circulavam, perguntavam, a gente pensava: o que estamos servindo aqui? E a resposta vinha fácil. Servíamos a possibilidade de um outro futuro. Um futuro onde cozinhar não é só criar pratos bonitos, mas oferecer presença, dignidade e escuta em cada garfada.
Levar a Três Quatro até ali foi abrir um caminho que ainda não existia. Um caminho onde cozinhar com propósito não é exceção — é potência. Onde uma feira pode ser palco de transformação social. E onde uma escola internacional reconhece que a cozinha não termina no fogão, mas atravessa a vida de quem serve e de quem é servido.
Voltamos da feira com o coração cheio e uma certeza: estamos no caminho certo. E ele começa sempre do mesmo lugar — da mesa. Onde todos, sem exceção, têm direito a um prato cheio de comida e de dignidade.


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