A gente não sabia exatamente onde ia dar. Sabia apenas que havia fome — de comida, de cuidado, de sentido. E sabíamos também cozinhar. Então começamos.
Com uma panela, uma ideia e uma urgência no peito, nasceu a Três Quatro Servir o Prato. Quase sem nome, quase sem estrutura, mas com uma força enorme: a de quem acredita que cozinhar é um ato amoroso e profundamente humano.
Hoje, fazemos quatro anos de existência.
Quatro anos de arroz no ponto, de feijão bem temperado, de cebola que arde e ensina. Quatro anos olhando para quem tem fome não como quem oferece caridade — mas como quem oferece escuta, espaço, presença.
Porque servir um prato é mais do que alimentar o corpo. É reconhecer a dignidade de quem está do outro lado da mesa. É lembrar que a fome também tem contexto, cultura, história. E que cada garfada pode carregar mais do que nutrientes — pode carregar memória, afeto, pertencimento.
Durante esses anos, estivemos em comunidades, datas especiais, feiras, parcerias. E recentemente, até mesmo na Le Cordon Bleu, onde nos tornamos a primeira instituição do terceiro setor a participar da feira da escola. Um marco que nos diz: a cozinha social tem lugar em todos os espaços. Inclusive nos mais consagrados.
Mas nada disso teria sido possível sem as pessoas que acreditam, ajudam, compartilham, doam, cozinham, limpam, embalam, transportam, pensam e sentem esse projeto com a gente.
A Três Quatro Servir o Prato é feita de mãos. De muitas mãos. E é por isso que, mesmo com tantos desafios, seguimos firmes — porque não estamos sozinhas.
Quatro anos depois, ainda temos fome. Mas é uma fome de seguir. De fazer melhor. De alcançar mais gente. De transformar cada vez mais a cadeia alimentar em um espaço de justiça, de afeto e de respeito.
Obrigada por estar à mesa com a gente.
Seguimos cozinhando.







